terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Férias com os meus

Em Sampa servindo de cicerone para a Isabele e o João Lucas, depois de chegar do Acre num vôo que começou na primeira hora do domingo, 27, e só acabou no final da manhã do mesmo dia. Isso sem dizer que fomos para o aeroporto ainda no sábado. É o preço por morar distante do centro do Brasil.

Ei-lo aí o primeiro vídeo gravado por mim mesmo.


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Obrigado, presidente Vargas!

Depois de um 2007 cheio de trabalho, nos três turnos, e antes que enterrem um dos legados de Vargas, vou me dar duas semanas de folga, férias...

Viajo nesta madrugada de sábado com os meus dois filhos.

Vamos por aí... De onde estiver vou postar alguma coisa.

Meu novo celular vai estar ligado: 68 9985-1034.

Nas férias somente para os amigos, por favor.
'Pede para sair!!!'

Nesta sexta, 25, resolvi assistir ao ‘Tropa de Elite’.

Minha filha Isabele, de 11, pasme!, [não, não pasme!] já havia visto o filme aqui em casa mesmo, e que é o retrato colorido e preto-e-branco das polícias do Brasil, especialmente do Rio e de São Paulo.

Recomendo a todo policial, policiais corruptos inclusive, a sentar numa poltrona e olhar para o ‘Tropa de Elite’ bem direitinho.

Alguns vão se enxergar e até tomar susto. A consciência vai doer.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008


Ele sempre aparece...


Sun Tzu, que escreveu um tratado militar que até hoje é utilizado [A arte da Guerra], precisa ser folheado nestes tempos de embates virulentos.


E como se sabe, as guerras têm as suas fases.


A primeira....


...A segunda....


...E a terceira.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


¿Cuál es la fumadora?


A campanha contra o fumo [humo] na Espanha está ganhando vento com essas duas gêmeas de 52 anos. Uma fuma e a outra não fuma.


E, como eles dizem em Madrid sobre a foto, sin trampa, cartón, ni photoshop.


Diz aí qual é a fumante? É fácil.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Que sexta!!!

Cheguei em casa já neste sábado. Foi um dia cheio com essa repercussão da viagem da Assembléia Legislativa pelo Rio Juruá até o Solimões, em Manaus.

Ainda pouco li o texto do sertanista Meireles - blog do Altino.

Fiquei pensando: nem no 'Jornal Nacional' dá para confiar.

O Meireles nos chama à atenção que o local onde um integrante da comitiva aparece tomando uma cerveja é em terra e num bar, na verdade, num restaurante de Eirunepé [AM].

Mas quem confia no 'JN'?

Mas, numa sexta, sem notícia importante no Acre e no Brasil, a Expeditione do meruim [grifo meu] ganhou o mundo e todos ficaram sabendo que o Acre tem rios e que precisa de apoio e políticas públicas para sobreviver e ainda nos ajudar por pelo menos mais uns 100 anos. Se deixarem.

Neste sábado, no entanto, o 'JN' volta à rotina com os morros do Rio; Capão Redondo, em São Paulo; e a gula dos ricos da paulista contrários à CPMF da Saúde.

Com o Norte eles apenas se divertem com notícias distorcidas e contadas por quem não conhece a realidade da nossa região.

É o preço.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O melhor Carnaval

Não preciso nem dizer, mas o melhor Carnaval do Acre é em Sena, onde a festa é grande, nos quatros dias, e a violência dificilmente entra na avenida.

Os mais açodados são retirados pela orelha por PMs e seguranças contratados pela prefeitura.

Se você quer um Carnaval tranquilo, com cerveja gelada, refrigerantes para os que não bebem, e uma cidade onde o seu filho pode brincar sem perturbação, vá curtir a Folia em Sena.

Até de moto dá para ir. São 144 km. Bem ali.

Eu sou de lá e sei.

A inocência


Contra as ofensas a pureza de um bebê.


Esta aí a filha do Neto, 17, [filho da Diana, minha mulher], que ganhou sua primogênita na noite de quarta, 16.


Que o mundo a receba bem!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Cenas da Expedição

[Deputado Juarez Leitão, PT]

Gravei uma pequena entrevista com o deputado Juarez Leitão, PT, quando este passou na cidade de Carauari [AM], na Expedição Juruá [Cruzeiro-Manaus], e foi visitar a sede do Conselho Nacional do Seringueiro, entidade dirigida por ele por vários anos.

Depois do jantar no barco, liguei a maquininha e o resultado tá aí embaixo:

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Exploração infantil no Amazonas

A realidade do interior, do interior, da Amazônia Brasileira.

Cidade de Carauari.

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domingo, 13 de janeiro de 2008

E na saída de Manacapuru...

Leônidas Badaró, TV5 e Difusora, dando o seu recado para os leitores deste blog.

Só agora deu para postar este filme.


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sábado, 12 de janeiro de 2008

O nosso Malutron S\A

[Escrevi quando estava ainda no Rio Solimões.]

Ainda estou no meio do Rio Solimões e vou dar um pitaco sobre essa idéia de fundar um time-empresa no Acre para disputar campeonatos de futebol.

Vou direto: isso é um absurdo!

Por que, ao invés de iniciarem esse negócio não ajudam a melhorar os clubes tradicionais que já existem transformando-os em empresas?

Essa idéia, nada original, lembra o time do Malutron, do Sul, do Paraná, que um dia inventou de fazer isso, entrou no campeonato brasileiro, e não agüentou sequer dois anos. Nem podia. O negócio era mais negócio que futebol.

O Malutron foi fundado em 1994, e hoje, depois que os empresários o abandonaram, o time sequer participa de competições importantes. Vive no anonimato em seu próprio Estado.

Não é que os times não tenham que ganhar dinheiro, mas é que soa esquisito, para não usar outro adjetivo, essa história do Acre ter um time-empresa só para vender, trocar e comprar jogadores. Por que os donos da proposta não se vestem de empresários e começam a agenciar jogadores para os times locais? Dá no mesmo.

Depois comento de novo sobre o nosso Malutron, que se chamará, dizem, Acre S\A.

PS: Ah, atenção, Federação de Futebol, e prefeitura de Sena! Por que os times do município, Comercial ou Grêmio, não vão entrar no campeonato de 2008?

Não há justificativa. Se o Juruá pode, por que Sena não pode?
[Foto do interior da igreja Católica de Manacapuru, onde o altar tem forma de um peixe. O Papa João Paulo II rezou missa quando esteve em Manaus]


Manacapuru


Na cidade ninguém sabe da lenda que se conta em Rio Branco. As pessoas em Manacapuru, 100 km apenas de Manaus, são trabalhadoras.

O porto é uma agitação e tanto. E olha que chegamos no sábado.

Para dizer a verdade, Manacapuru nem merece ser ridicularizada como é por nós acreanos em época eleitoral.

Eu gostei da cidade. O único problema: é muito quente.
Lembranças da minha vó

11\1

Minha vó Diamantina ensinou-me a gostar de ouvir rádio. Na madrugada deste dia 11 sintonizei, em pleno Rio Solimões, a Rio-Mar, de Manaus, talvez a mais tradicional emissora AM do Norte nas décadas de 60 e 70.

Quando morava em Sena passava os finais de semana na casa do vó Diamantina, mãe do meu pai Almir. Ela tinha um rádio daqueles grandes e, logo cedo, sintoniza a emissora amazonense de maior sucesso nas décadas citadas.

Quando os galos ainda nem tinham começado a cantar neste dia 11 lembrei da vó Diamantina. Estava no meio do Solimões. Foi uma boa lembrança daquela que decidiu que eu me chamaria João Roberto.

Vó Diamantina foi lavadeira a vida toda e na sua casa nunca teve energia elétrica. O fogão era à lenha e a água a gente pegava no pote, em copos de lata de leite condensado super limpos.

Quando apareceu a televisão no Acre, o programa que ela mais gostava era o do Sílvio Santos, aos domingos.

Coari, a Petrobrás, e o ‘espoca-bode’

Hoje passamos pela cidade de Coari, mas antes vimos o terminal da Petrobrás, que paga pelo uso do subsolo municipal pelo menos R$ 50 milhões ao ano. Mas, dizem, que o prefeito local, não cuida bem dos recursos dos ‘coarienses.’ [Não tenho certeza se é coariense o nativo da cidade].

Na hora de atracar, o inusitado: o bico da nave-mãe dá no meio da traseira de um veículo estacionado em cima de uma balsa. Sorte que só quebrou o vidro e tudo foi resolvido pelo embaixador da paz, Jair Santos.

Um gaiato que estava no porto, gritou logo: ‘além de ‘espoca-bode’* agora são também espoca-carros’.

Já em terra, claro, fui direto para a primeira Lan house que encontrei. Eu e um monte. Todos sedentos de comunicação com o mundo maluco.

Deu para postar algumas notícias da viagem, mesmo com a internet lenta.

[PS: Espoca-bode é que como são chamados os cruzeirenses [acreanos, agora também] no Amazonas. Tudo surgiu porque um bode, no porto de Manaus, encheu o bucho de farinha do Juruá e depois se danou a tomar água. Inchou tanto que ‘Espocou!.’ Literalmente.]

Foz do Purus

Meu lobby não funcionou para que passássemos durante o dia pela foz do Rio Purus. Precisávamos ter parado a viagem na cidade de Codajás.

Chegamos à foz do Purus quando passava da 1h da manhã, já do dia 12.

Para mim foi uma emoção diferente. A minha família nasceu dentro do Purus e seus afluentes. O velho espanhol, não se sabe como, viajou da Espanha e foi morar em um dos afluentes desse que eu considero ser o principal rio do Acre.

Gravei um vídeo no escuro. Não tinha iluminação. Depois vou pôr neste blog só para mostrar a emoção do momento. O Jair Santos foi o ‘câmera’. Apenas eu, Jair, Solônidas [focava com uma lanterna no meu rosto], Beto, Zé Maria, e o timoneiro, estávamos acordados.

Mesmo na escuridão deu para ver como é majestoso quando o Purus entrega suas águas para o fantástico Solimões. É um espetáculo grande como a Amazônia.

Como eu disse no vídeo, talvez nunca mais passe por ali. Não tem problema. Eu vi a Foz do Purus e é o que importa.

Era a última madrugada a bordo da nave-mãe Igaratim-açú.

[Última casa do Rio Juará, na sua foz]

Foz do Juruá

10\1

Cedo acordei para ver, pela primeira vez na vida, a foz de um rio. No caso, a do Rio Juruá, que findou entregando a responsabilidade, ou seja, as suas águas, ao fantástico Rio Solimões.

Por proposta do juruaense Edvaldo nos despedimos do Juruá tomando banho nas suas águas. Passavam das 6 horas da manhã.

Houve mortais de cima do barco, mas nenhum superou o ‘carpado triplo’ do repórter Badaró que, quando bateu na água, o Solimões tremeu da foz à nascente.

O dia na imensidão do Solimões foi longo. Mas foi bom e diferente.

Eles apareceram

À tarde, antes de mais uma vez o barco de pesca-apoio se perder quando buscava comprar mantimentos para a nave-mãe, eis que eles, os celulares, dão o ar da graça... E aí ninguém ficou mais sossegado. Era a retomada dos contatos com o mundo real.

Foi nessa hora que soube da morte da mãe do colega de trabalho Paulo Luiz, o Paulinho. Liguei para ele, em nome de todo mundo, e desejei força para continuar tocando a vida.

Isso tudo era próximo ao município de Tefé, mas não paramos nele. Seguimos direto para Coari.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mantendo a forma

9\1

Acordei cedo e fui direto à cozinha. No café-da-manhã de hoje tinha até tapioca. Nos outros dias também, mas, como chego mais tarde, as tapiocas já têm sido pescadas. A maioria dos passageiros ainda dormia.

Depois fiz 40 minutos de exercícios físicos. Ajuda muito numa viagem assim, longa e sem grandes margens de manobra individuais.

Começava o sétimo dia da viagem.

Último dia no Juruá

Fomos informados que este dia era o último de navegação no longo e bonito Rio Juruá. Mas, desconfiado, com as nem sempre corretas previsões de nossos timoneiros, achei melhor esperar e para ver a boca do Purus, do próprio Juruá, e do maioral Rio Solimões.

Alguns estão enfadados e impacientes com os dias no rio. Amanhã, dia 10, completaremos uma semana dentro da nave-mãe, o Igaratim-açú.

Está valendo à pena. Essa é uma viagem única na vida. Dificilmente faremos uma outra dessas, nesse mesmo percurso.

Balé dos botos

O último dia no Rio Juruá nos reservou uma surpresa: durante a manhã os botos, que são muito por aqui decidiram nos presentear com um espetáculo. Foi uma sessão de balé em plena quarta-feira, em horário nobre [as fotos veja no blog do Edvaldo].

Sete dias

O deputado Juarez Leitão lembrou o que ninguém esqueceu durante esses dias.

-Estamos há sete dias sem usar o celular.

É verdade. Tem o Global Star, que não é a mesma coisa, mas dá para matar a saudade de casa de vez em quando. Quando vale à pena ligar...

Festival de peixe

Nunca comi tanto peixe na minha vida. É delicioso e saudável.

Hoje no jantar o deputado Luiz Calixto prometeu:

-Quando chegarmos a Manaus vou convidá-los para uma peixada.

Dificilmente terá companhia.

Crepúsculo no Rio Juruá

Carauari


Dia 8\1

Num dia sem grandes novidades aportamos no final de manhã, começo de tarde, no porto da cidade de Carauari, no continental Estado do Amazonas.

Na chegada um desses aviões que aterrissa e pousa na água deu um show à parte.

O legal é que viajando de barco a cidade é sempre vista de um outro perfil, diferente dos tradicionais aeroportos e rodoviárias. Primeiro se vê gente trabalhando... E muito!

Fomos, eu, e todo mundo interessado em se comunicar via internet - direto para a única Lan house aberta. Deu trabalho devido à lentidão da conexão. Três horas para pôr alguns posteres [Desta vez tem uma foto do Rio Juruá, milagre!!!].

Mais tarde, em conversa informal, o presidente da Assembléia, deputado Edvaldo Magalhães, disse que vai sugerir que o Juruá tenha o mais rápido possível internet banda larga. E indicou a solução.

-Na parte que não está asfaltada ainda – Sena\Feijó – as empresas que ganharam a licitação se responsabilizam por cuidar dos fios de fibra ótica instalados pela Brasil Telecom. Cada empresa cuida do seu trecho - diz o deputado.

Vida real

Cidade bonitinha. Achei melhor que as nossas do interior. Mais limpa e com ruas melhor cuidadas.

O preço do peixe não existe: R$ 2. Fartura, para usar um termo quase em desuso entre nós.

O litro da gasolina custa R$ 3,15, mais em conta que em Cruzeiro do Sul, onde o consumidor paga mais de R$ 3,20.

Mas o que chamou à atenção foi o menino Isac, de sete anos, trabalhando como estivador no porto.

Seu ‘salário’ diário: R$ 5

Folhas

À noite, depois do tradicional peixe fresco servido pela cozinha da nave-mãe, ouviu-se na sala de entretenimento até o esquecido, e antigo, Folhas, grupo brasileiro da década de 70, que insistia em cantar músicas em inglês. Dava certo para eles.
Tá difícil...

Chegamos a Coari-AM e só consegui postar esta mensagem. Estou tentando pôr os posteres até a hora de zarpar.
Cassino Royalle

Dia 7

Eu e o repórter da TV 5 e Difusora, Leônidas Badaró, o ‘Bof de Elite’ da Expedição, amanhecemos o dia disputando quem era o melhor no dominó. Iaco contra o Xapuri.

Resultado: Badaró levou uma surra de 9 a 3.

Já com o dia claro mudamos para o baralho: outra lavada de 4 a 2 para o Iaco.

Badaró se abateu emocionalmente. Entrou em depressão profunda.

O dia amanheceu com uma linda chuva amazônica. E o Juruá já se mostrava um pouco mais largo e profundo, na casa dos 17m.

Boa parte do resto da manhã foi para dormir, claro.

Barco de apoio quebrado

No final da manhã deste dia 7 acordei com os gritos dos passageiros. Era que o barco de pesca emergencial, comandado pelo Jair Santos, havia quebrado, e, por um milagre amazônico, o Danga [Carlos Alberto, de Cruzeiro], que estava de posse de um binóculo viu os nossos pescadores pedindo socorro. O ‘barco pesqueiro’ já havia ficado para trás da nave-mãe.

Foi por pouco. Mesmo assim a nave-mãe teve que voltar para recolhê-los e aí atrasamos mais de uma hora. No final, tudo bem.

Éden Magalhães, o retorno

Éden se emocionou ao passar, depois de anos, pela comunidade indígena de Xeroãn, onde morou na final da década 70, quando havia acabado de casar com a professora Solange.

Sarapatel de não ter o que fazer

Hoje fiquei sabendo que repercutiu em Rio Branco um jantar da nossa equipe num restaurante de Eirunepé-AM publicado aqui neste blog. O pessoal ligou com o global star e foram informados da notícia.

O menu servido num restaurante, segundo o proprietário, foi sarapatel de tartaruga. E o ‘Ibama estaria preocupado’.

Se tivessem me dito que seria sarapatel de elefante teria comido do mesmo jeito. Era o que tinha e, também, nem sei a diferença entre as vísceras dos dois.

Mas, por precaução, quero ver o que andaram escrevendo para depois responder.

Céu estrelado

Depois de dias de chuva, a noite de segunda-feira, 7, foi de céu estrelado.

As estrelas na escuridão dão um show à parte.

[PS: Não estou conseguindo postar as fotos...Internet sempre lenta. Depois publicarei as melhores].

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Domingo no rio

Dia 6

Para começar perdi o café da manhã deste domingo. Resolvi dormir durante a manhã tentando enganar o tempo para ver se passava rápido.

Depois do almoço conversei por mais de hora com o maquinista e ele me deu números espantosos.

O rebocador que está empurrando o Igaratim-açú, o barco em que viajamos, consumirá de 5 a 6 mil litros de óleo no percurso. Ou em dinheiro R$ 11,4 mil. É muito?

É muito porque você, nem eu, até então, sabíamos quanto bebe o motor de um rebocador que empurra uma balsa tipo a do empresário Abraão Cândido que faz o trajeto Manaus-Cruzeiro. Chuta, aí!

Ida e volta o consumo é de pelo menos 60 mil litros de óleo diesel ou, em dinheiro, R$ 114 mil. Isso com base no litro do diesel a R$ 1,90, em Manaus.

Mas não fique com pena do empresário. O ganho com esse tipo de transporte para uma região isolada como a do Juruá é muito grande.

Agora tenha pena mesmo é de um trabalhador desse segmento, que, em média, recebe algo como R$ 600 e ainda é obrigado a ficar dias e dias fora de casa.

Em Manaus, que existe o sindicato dos empregados, o salário é um pouco melhor e chega a dobrar. Mas continua sendo uma migalha em comparação aos altos lucros do negócio.


Ia esquecendo

Nas horas em que ficamos na cidade de Eirunepé, encontrei um mineiro comprador de farinha.

Contou-me que comprava nessa cidade porque é ‘a mais barato. ' A de Cruzeiro do Sul, a famosa, ‘é mais caro’.

Pois bem. Esse mineiro, um rapaz novo, de vinte e poucos anos, disse a mim e a outras pessoas que vendia a farinha de Eirunepé em Roraima como se fosse de Cruzeiro do Sul.

-A gente põe a embalagem ‘Farinha de Cruzeiro do Sul’ e vende tudo em Roraima. Eu e o meu sócio. Lá o preço é muito bom.

E não seria...

Outra que aprendi para contar aqui dita por esse mineiro, que deixou o filho com a avó para vir tentar ganhar a vida na Amazônia.

-Eu vendia feijão. E sabe como a gente fazia para deixar o feijão bem rosado2. Pegava uma seringa e colocava óleo de cozinha. Fica uma beleza.

O mineiro faz ponto no porto de Eirunepé e, ele mesmo, negocia a farinha com os produtores que se aproximam do porto em suas canoas. Diz ele que antes tinha um representante na cidade, mas levava calote.

O lucro do negócio: 100%.

Agora quem se ferra mesmo é o morador do seringal que tem todo o trabalho para pôr a farinha na mesa do consumidor final.

Oh vida injusta!!!


O jantar

O jantar deste domingo servido no Igaratim-açú foi uma caldeirada.

Peixe é sempre muito bom.

Depois do jantar fomos ver a balsa que cruzava com o nosso barco. Era a do Abraão, que rumava para Cruzeiro lotadinha de mercadoria. Não deu para fotografar. Estava escuro.

Hoje foi mais um dia sem internet.

[Sem poder postar foto devido internete lenta...muita lenta]
Sem capacete

Dia 5\1

Depois de dois dias a bordo da Igaratim-açú chegamos ao município de São Felipe. Sim, São Felipe. Era assim o primeiro nome da cidade de Eirunepé, no começo do século XX.

Em Eirunepé tem algumas particularidades:

Os motoqueiros não são obrigados a pôr o capacete. O juiz da cidade liberou da obrigatoriedade do uso do instrumento de segurança com a justificativa de que ‘todo mundo sabe cuidar da sua vida’. Deu até entrevista à rádio local antes de tomar a medida unilateral.

Conversando com os moradores da cidade, porém, a história tem outra versão. O juiz, de nome Takeda, teria sido parado numa blitz da PM e não teria gostado, claro.

Então...


Preços de passagens

Em Eirunepé tem coisas assim: você paga mais barato ou mais caro quando vai viajar de avião, rumo a Manaus, a capital do Estado, dependendo da sua pressa.

Preços das tarifas na empresa TRIP [Transporte Regional do Interior Paulista]

Pouca pressa: R$ 564 [antecedência de 30 dias e vagas sobrando]
Pouca pressa: R$ 654 [antecedência de 30 dias e vagas sendo preenchidas]
Média pressa: R$ 734 [antecedência de 30 dias e vagas quase preenchidas]
Pressa imediata: R$ 939 [para embarque imediato]

Recreio, o pau-de-arara da Amazônia

São os barcos que, completamente lotados, fazem, uma vez ao mês, pelo menos, a mega viagem de Manaus a Eirunepé, e ‘pingando’ nos municípios entre as duas cidades.

O conforto não existe. 50 a 70 pessoas se espremem dentro da lancha com redes armadas em todos os espaços possíveis.

A viagem demora, em média, 14 dias, e custa R$ 400.

Made in Tarauacá

A carne bovina que Eirunepé come vem de Tarauacá, no Acre, e custa muito barato.

O kg do filé, da picanha, não supera os R$ 8.

Já o peixe, feito em casa mesmo, é quase de graça.

O preço: R$ 2 a R$ 3 o quilo.

Dinheiro em casa

Os maiores comerciantes de Eirunepé, e os pequenos também, ainda mantêm uma velha tradição de guardar dinheiro em casa, nos cofres.

Na cidade tem apenas duas agências: Banco do Brasil e Bradesco. E um posto do Caixa Aqui, da Caixa Econômica Federal. Na cidade não tem loteria.

Mas a ‘tradição’ parece que está indo por água: com o fim da CPMF, as agências começam a conquistar novos e endinheirados clientes.

Hoje revi um amigo, funcionário do Banco do Brasil, que está por aqui cumprindo uma missão.

É o Élson, que também já foi professor do Cerb, em Rio Branco.

[PS: tenho fotos, mas a internet lente não me permitiu anexá-la]

sábado, 5 de janeiro de 2008

Eirunepé-AM

Estamos na cidade amazonense que fica às margens do Rio Juruá, há dois dias e duas noite - dia marítimo - do município acreano de Cruzeiro do Sul.

Aqui as coisas não são fáceis. Até o nome é difícil. Tanto que no primeiro post grafei a palavra errada.

Um pouco de Eirunepé e sua vida cotidiana:

Um quilo de tomate custa R$ 7 pilas. O gênero é posto num avião em Rio Branco [AC] e chega com esse preço, que é um assalto.

A passagem em um bimotor Eirunepé-Manaus-Eirunepé sai por R$ 1,200. Detalhe: a companhia que faz o vôo é comandada pelo prefeito da cidade.

O litro da gasolina custa R$ 3,40.

Eirunepé é uma típica cidade da Amazônia. Parece com as nossas. Tem 30 mil habitantes.

No almoço de hoje comememos sarapatel [coração, fígado, rim etc...] de tartaruga.
[Naluh e, ao fundo, de camisa vermelha, o empresário Abraão. Nem se olham]

Abraão Cândido – 3ª conversa


Dia 3 - quinta-feira. 'Injustiçado'


Depois da, digamos, entrevista que o Abraão concedeu para o pessoal da imprensa presente na Expedição da Aleac pelo Rio Juruá, os passageiros começaram a entrar na nave Igaratim-Açú. Fiquei sozinho com o Abraão no barranco e não perdi a oportunidade.

P - O senhor já se sentiu alguma vez injustiçado no Acre?

R - Fui injustiçado. Principalmente quando a deputada Naluh Gouveia [a ainda deputada fez de tudo para não ser fotografada próxima ao empresário, mas ainda consegui alguma coisa] me acusou de ser traficante. Eu e outros. Sempre ganhei trabalhando.

P – O senhor guarda mágoa dela?

R – Não guardo mágoa. Tenho um coração bom.

P – Nem raiva?

R – Raiva, sim. Mas passa.

P – O senhor é tão rico, mas parece que não aproveita o seu dinheiro. Qual é o seu divertimento?

R – Me divirto trabalhando...

P – Nem toma uma cerveja?

R – É difícil tomar uma.

P – Diga o que senhor quiser sobre qualquer coisa que nunca o senhor teve oportunidade de falar na imprensa do Acre.

R - Poderia morar com tranqüilidade em Manaus, com conforto, etc..., mas sou um homem simples, humilde e ajudo como poço as pessoas.

P – Seu Abraão tenho que ir que o barco tá saindo. Obrigado por responder as perguntas.

R – De nada. Nunca tinha falado disso assim com ninguém da imprensa. Pena que foi rápido. Vamos nos encontrar novamente.

P – É só o senhor marcar.
Abraão Candido – 2ª conversa

Dia 3 - Quinta. Entrevista coletiva

Antes de ter a última conversa com o homem mais rico do Juruá, me intrometi numa entrevista-vídeo que o colega Altino Machado gravou com ele com uma máquina digital e o ajudei a fazer algumas perguntas.

Perguntei sobre os desafios dos empresários do Juruá depois da construção da BR-364 e sobre o que pensava sobre as propostas separatistas que, de vez em quando, surgem de alguns juruaenses.

Sobre esse assunto, e outros, você pode ver no blog do Altino e saber o que respondeu Abraão.

Mas tem a terceira conversa com o Abraão no próximo post que você não pode perder e é sobre os assuntos mais quentes da sua vida. E é exclusiva do Blog do Braña.



Abraão Cândido – 1ª conversa -

Dia 3 – quinta-feira. Empreendimento

Antes de sairmos de Cruzeiro do Sul fui ao novo empreendimento do empresário Abraão Cândido, o mais poderoso da região do Juruá. Ganha até do Barão Orleir Cameli.

A primeira conversa ele afirmou:

-Estou montando esta câmara frigorífica aqui em Cruzeiro com capacidade para guardar pelo menos 1000 toneladas de frangos. Estamos em fase de teste. Um húngaro contratado a peso de ouro, suponho, ajuda na instalação das máquinas que vão funcionar a câmara. O nome é Laszlo Szabo [vê se consegue pronunciar].

Isso sem falar num supermercado que ele está concluindo bem ao lado.

-Já está quase pronto. Falta somente o acabamento. A parte mais importante já foi feita.

O presidente da Assembléia Legislativa do Acre, deputado Edvaldo Magalhães, eu, e mais o fotógrafo Odair Leal entramos nas dependências do avançado empreendimento.

-É a maior câmara frigorífica do Acre e a segunda da região Norte. Tem gente que não conhece isso aqui em Cruzeiro – ressalta.

No verão passado Cruzeiro importou [a empresa de Abraão] 40 mil caixas de frango.

Abraão diz que o produto é muito caro na cidade por que não há abastecimento suficiente para a ‘regulação’ do preço.

O frango chega até Porto Velho, vindo do Paraná, e sobe para Cruzeiro de balsa pelo rio numa viagem curtinha que leva só... 28 dias.

O empresário diz que o investimento está sendo feito com recursos próprios. E no final de tudo vai custar R$ 1,5 milhão.

O homem mais rico do Juruá, que já foi motorista de táxi, emprega cerca de 200 pessoas.


Post Scriptum: texto está sendo postado hoje porque descemos o Rio juruá e hoje paramos em Eirunepé-AM. Ah, e não perca as outras duas conversas com o Abraão Cândido. Se a internet deixar ponho hoje ainda. [O assunto quente vai entrar]

Está autorizada a reprodução nos jornais de Rio Branco. Só citem fonte.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


O Bof de elite


O pernoite em Cruzeiro do Sul da Expedição de alguns deputados e jornalistas pelo Rio Juruá até Manaus não estava no script.


O atraso na chegada do barco que vai nos levar rio abaixo deu uma oportunidade para quem quisesse pular fora do barco, principalmente depois dos informes do comandante e da responsável pela cozinha sobre os mosquitos de 'várias marcas'.


Ninguém ousou desistir.


Então tudo pronto para seguirmos nesta manhã rumo ao desconhecido.


Na foto destaque deste post o repórter Leônidas Badaró, que está a cara do 'Bof de Elite', do personagem de Tom Cavalcanti, da Record.


Não sabemos se vai dar para continuar a postar informações e relatos da viagem a partir da nossa partida, nesta quinta. Onde der vamos atualizando.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008



Olha aí o Juruá!!!


Já estamos em Cruzeiro do Sul e zarparemos amanhã no barco de nome Igaratim-Açú, de 33m, 7m de largura, e com velocidade em descida de até 35 km\h, depois de feitos os cálculos em milhas.


Mas, conforme o comandante Ocemir Alves, que chegou primeiro que o Igaratim [este só atracará ao porto de Cruzeiro nesta noite] a velocidade média que vamos viajar será de 15km\h.


É de bubuia....Mas é de descida e todo santo ajuda. Serão 12 dias nos rios da Amazônia até Manaus.


Aí em cima a imagem do Rio Juruá nesta bela tarde sem chuva por aqui.


Vamos passar a noite em Cruzeiro.
Vou descer o rio...

Acompanho nos próximos dias uma expedição organizada pela Assembléia Legislativa, que planeja descer o Rio Juará até o Rio Negro-Solimões, já na cidade de Manaus-AM.

É o caminho das balsas, que ainda serve para garantir a sobrevivência - cara, diga-se - dos acreanos que moram no Vale do Juruá.

O Parlamento estadual quer saber como é que é mesmo essa história.

É um caminho desconhecido para mim. E para muitos.

Se der a gente vai contando...

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Mário Braña [1925-2008]

O velho Mário Braña, 83 anos, meu tio, dono do histórico Hotel Braña, de Sena, foi embora neste dia 1 de janeiro de 2008.

Mário Braña era o pai do Manoel [que cuida há décadas do Hotel Braña], do Chico Antônio, do Elson Ney, do Tadeu, da Graça e da Gorete, estas duas não moram no Acre.

O tio Mário foi um comerciante que viveu a vida toda do seu trabalho. Nunca dependeu de governos ou coisas parecidas para criar os filhos. Nem aposentadoria ele tinha.

Deixou amigos, principalmente os da antiga, aqui em Rio Branco, onde viveu até hoje de manhã, em Sena, e em Manaus, onde manteve casa e família por muitos anos também.

Mário Braña foi uma personagem do Acre. Filho do velho espanhol que chegou por aqui no final do século XIX, ele era o último dos irmãos ainda vivo [os outros dois eram Cristóvan e Manolo, este meu avô], todos nomes espanhóis, perceba.

Tio Mário sofreu muito com sua saúde nos últimos tempos. Já não andava mais devido a problemas na coluna.

Descanse em paz.