sábado, 31 de maio de 2008


Inédito...


Pela primeira vez acionei o aquecedor do carro.

Foi na sexta, 30, ontem - quando saí com as minhas duas mulheres para comer a 'pizza da mamma'.

Os termômetros bateram 'en quince grados, como dicen los porteños....Para no olvidar que el miércoles tenemos otro encuentro del Flu y Boca.'

'Más anoche' o frio pôs para casa cedo o habitante quase sempre quente da capital.

Aposto que no frio os números trágicos da violência em Rio Branco vão a quase zero.

sexta-feira, 30 de maio de 2008


Antes tarde...


O Supremo Tribunal Federal decidiu que a ciência brasileira pode continuar pesquisando células-troncos. Adultas e embrionárias.

É a melhor notícia do Brasil dos últimos tempos.

Vitória do Estado laico.

quinta-feira, 29 de maio de 2008


Ufa!!!


Os argentinos agora conhecem a Máquina.


O Olé, estampou 'Aguante' com foto do segundo gol do Flu, o de empate.


'Aguante' é como dizer assim: 'Paciência...' o goleiro [Migliore] tomou um peru, um frangaço.


E nós com isso?


O Flu foi lá, fez o resultado, e o tango agora será no Maraca.


Como canta a torcida tricolor: 'O show tá começando...Só começando' [letra do Rappa]

quarta-feira, 28 de maio de 2008

É de revoltar

Hoje, mais uma vez, os aficcionados do futebol - que não têm parabólicas - vão saber o resultado do jogo da Libertadores com algumas horas de atraso.

É uma grande pa-lha-ça-da... Procurei um adjetivo mais ameno, mas não encontrei.

O pior: ninguém faz nada.

A TV faz o que quer com os telespectadores e ponto final.

Voltamos à década de 70.

[Olé reconhece]


Flu... joga ao 'estilo brasileño


O jornal argentino mais provocador, o Olé, faz uma análise da Máquina e afirma que o Flu tem o estilo do velho, bom e conhecido futebol 'brasileño'. Melhor assim.

Analisa setor por setor do time. Algumas avaliações não concordo. O texto é do jornalista Horácio García. Leia você mesmo:

'El Fluminense tiene un perfil más definido de estilo brasileño si lo compara con San Pablo o Cruzeiro. Utiliza de visitante un 3-6-1 y trata de progresar a partir del control de la pelota, con juego asociado. En ataque tratan de llegar con combinaciones por el medio o utilizando a los laterales volantes. Cuando pierden la pelota, retroceden hasta su campo sin presionar en el medio. Otro punto saliente es que no se desesperan cuando están en desventaja. Eso sí, en defensa sufren demasiado porque son desatentos y dejan muchos espacios sin cubrir.

Fernando Henrique (1,89) es el arquero y su punto flaco. El central suelto es Luiz Alberto (1,86): mucho criterio, importantísimo en el juego aéreo. A sus costados se mueven Ygor, lento en sus desplazamientos, y Thiago Silva, de muy buen nivel, que vuelve después de una lesión muscular y que acaba de ser convocado por Dunga. Este bloque sufre cuando se los encara con pelota dominada.

En el medio utiliza dos volantes centrales, Arouca y Cícero, que se movilizan como pivotes. El primero generalmente juega más retrasado y es más limitado; Cícero se destaca por su técnica (maneja los dos perfiles), despliegue y pegada. Por ambas bandas se movilizan los laterales volantes Gabriel y Junior César. De organizador se alternan Thiago Neves y Conca. El brasileño, a pesar de ser zurdo y lento de ejecución, se desplaza hacia la derecha para aprovechar su pegada. Conca tiene más cambio de ritmo. Arriba juega con un punta: Washington (33 años, jugó el Mundial de Clubes para el Urawa) sabe tirarse atrás, pero pesa más como cabeza de área por su potencia e imponente envergadura física (1,89). '

Leia o Olé aqui

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Pouso em Santa Rosa

Acompanhe o pouso do avião bi-motor que levou parte da equipe de comunicação da Aleac a um dos municípios mais isolados do Acre. Piloto: Michael, o melhor em atuação na região.

Terreno de grama e cheia de defeitos.

A pista pavimentada foi um dos pedidos dos moradores durante o 'Assembléia Aberta.'


video

sábado, 24 de maio de 2008

'Lunes caliente'

Começo de semana é sempre imprevisível.

Fique atento que, talvez, esta seja mais uma dessas segundas com novidades na esfera principal da vida acreana.

A mídia é que tem que correr atrás.
Em depressão

Joel, motorista do presidente da Assembléia Legislativa do Acre, desde a noite de quarta, 21, que não atende ao celular.

Fanático pelo São Paulo, ele simplesmente não sai mais com o telefone...O deixa em casa. Tudo por conta do chocolate que os bambis de sampa levaram da máquina tricolor, o Flu.

Os tricolores o aguardam na terça, na secretaria de Fazenda, local onde acontece atualmente as sessões ordinárias da Aleac. Ele terá que ir deixar o presidente.

Dizem o pessoal que Joel entrou em sofrimento profundo.

sexta-feira, 23 de maio de 2008


O fim das lendas


Ainda estou rouco... Na quarta-feira, 21, durante o massacre do Flu em cima do São Paulo, fiquei o jogo todo 'orientando' a máquina tricolor do Renato, que ia entregando a tapioca com suas alterações equivocadas.

Mas a 'lenda' do Morumbi, na Libertadores, foi-se. Não existe mais. Acabou.

Agora vem aí a 'lenda' do Boca, que nunca perde para os times do Brasil. Tinha que ser o Flu para tocar esse tango porteño.

E o tricolor já venceu a primeira no bastidores: o jogo de ida não será no alçapão de La Bombonera.


A foto prometida


O alojamento do quartel do 4ºBis, em Santa Rosa do Purus, onde eu e vários colegas de trabalho da Assembléia Legislativa dormimos no dia 20, véspera do Assembléia Aberta.


Repercutiu até no jornal 'A Tribuna'.

Ainda tem mais coisas de Santa Rosa nos próximos posteres.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Na caserna

Nunca pensei em dormir num quartel do Exército Brasileiro [4ºBis]. Hoje aqui em Santa Rosa estou alojado na caserna, num daqueles quartos imensos com não sei quantos beliches...Todos branquinhos e cheirando a limpo... Senti-me um General.

Para começo de conversa a acolhida dos milicos foi sensacional. Fomos recebidos com chocolates. Nunca pensei que isso iria acontecer um dia. Um comunista na caserna recebendo tratamento vip.

Minha nega Diana, sempre desconfiada com as viagens que faço, pode ficar tranqüila. O único perigo é eu não conseguir dormir devido ao ronco dos acompanhantes de quarto.

A vigilância é verde-oliva.

[Amanhã eu ponho a foto da suíte coletiva]

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Santa Rosa

Não conheço, mas imagino...

Um dia já foi distrito-satélite de Sena. Junto com Manoel Urbano [Castelo]. Idos de 70.

Vou de teco-teco nesta terça, 20. Adrenalina a mil, claro.

Passei minha infância viajando nesses ventiladores espaciais. Estou desacostumado.

Vai sair tudo bem.

sábado, 17 de maio de 2008

Pois...,


Acordo ortográfico aprovado em Portugal


As tais mudanças foram votadas pelos políticos portugueses e, como era previsto, recebeu uma saraivada de críticas. Até o escritor Saramago falou: 'Vou continuar a escrever do mesmo jeito. Os revisores que se virem'.


As alterações


Os estudos lingüísticos que basearam o acordo indicam que os portugueses terão mais modificações do que os brasileiros. O dicionário português terá de trocar 1,42% das palavras, enquanto no Brasil apenas 0,43% sofrerão mudanças.


Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o "c" em acto, direcção e selecção, e o "p" em excepto.


A nova norma acaba com o acento no "a" que diferencia o pretérito perfeito do presente (em Portugal, escreve-se passámos, no passado, e passamos, no presente).


Algumas diferenças vão continuar. Em Portugal, polémica e génesis manterão o acento agudo – o Brasil continuará escrevendo com o circunflexo.


Os portugueses manterão o "c" em facto – fato em Portugal é roupa – e vão tirar o "p" que no país não é pronunciado na palavra recepção.


Leia o texto completo da BBC aqui

sexta-feira, 16 de maio de 2008


Yoani Sánchez


Ela assina o mais famoso blog feito direto de Havana, Cuba. Yoani, dias desses, foi agraciada com um prêmio na Espanha, mas não pode comparecer.


Os adversários do regime têm aproveitado o seu blog para aumentar a ira contra o Fidel e o PC da Ilha rebelde.


Dias desses também enviei meu comentário para Yoani. A felicitei pelo blog, mas a alertei que os falcões da direita no mundo todo sonham com a degola de Cuba, da sua volta ao bacanal de Batista etc...


E que refletisse muito sobre a história do seu país. E não jogasse tudo por terra apenas para agradar a direita pegando corda dos inimigos de Cuba.


Claro que sei dos graves problemas da nação caribeña, mas tudo vale à pena para ajudar Cuba a seguir o seu caminho, de forma independente e autônoma.


Do seu jeito. Do jeito do povo cubano.


Ponham no favorito de vocês o 'Generación Y' [pronuncia-se Generación y Griega]

quinta-feira, 15 de maio de 2008


Faltam 90min


Os adversários tiraram a quinta para as pilhérias devido à 'meia derrota' do Flu para o São Paulo, ontem pela Libertadores.

Não esqueçam que o jogo de volta será no Rio, na casa do tricolor, e a história, com certeza, será diferente.

Ah, tricolor só tem o Fluminense. O São Paulo é um time de três cores.

terça-feira, 13 de maio de 2008


Marina deixa ministério


Estava escrito nas estrelas desde sempre.


Ela deve retornar ao seu lugar no senado na cadeira do suplente Sibá Machado, que teve um excelente desenpenho no tempo em ficou por lá.


Na verdade, na verdade ficou incompatível as idéias de Marina com as do governo e seus experts do agronegocio.


Triunfou o capital.
[foto: abr]

Veja só...!


O texto está em Castellano:


[...]Las ventas de gaseosas tradicionales han bajado en Estados Unidos, debido a que los consumidores están prefiriendo aquellas bebidas que se ven como más saludables, como aguas embotelladas y té.


En los últimos años, el negocio internacional de Coca-Cola, especialmente en lugares como China, India, Brasil y Turquía, se ha vuelto más importante para los inversionistas, a medida que se desacelera el crecimiento en mercados maduros como Norteamérica.'[...]


Traduzindo: nos países desenvolvidos, os consumidores estão optando por água em garrafas e chás. Percebendo isso, a Coca-Cola mira o terceiro mundo e seus consumidores menos consciêntes e tome refrigerante goela abaixo...


Cabe a nós dar ou não guarida a esse mercado de refrigerantes nada saudáveis.

[O texto em Castellano foi copiado do Cincodías]

segunda-feira, 12 de maio de 2008


Minha Mãe


Passamos o domingo na casa dela. Eu e todos os irmãos, irmãs, sobrinhos e boa parte do clã Braña.

Fomos prestigiar a nossa mãe, a dona Raimunda Braña.

Uma big feijoada foi preparada e todo mundo se fartou.

Emendamos pela noite.

Viva a minha mãe!. E todas as mães do Acre!

segunda-feira, 5 de maio de 2008


Bolívia...


A sociedade boliviana está dividida.


A elite de Santa Cruz conseguiu influnciar a classe média e aprovou o referendum que supostamente dá autonomia à região mais rica da Bolívia.


A tradição no país vizinho é de resolver suas questões em sangrentos confrontos.


E isso não está descartado ainda.


Evo, claro, não reconhece o referendum.


[foto: eldeber]

quinta-feira, 1 de maio de 2008


1º de Maio aqui


Em Rio Branco os escravos do salário fizeram muita festa.


Fazer o quê.


Sem consciência fica difícil...
A marca classista do 1º de Maio


A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica.


Por Altamiro Borges*


“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Arbertter Zeitung.


“Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.


“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.


“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.


As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas deram origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.


A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.


Greve geral pela redução da jornada


Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as famosas Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, ''sem distinção de sexo, ofício ou idade''. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 – maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.


A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro ''Crônica do 1º de Maio'', mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.


“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa


Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos ''Irmãos Pinkerton'' ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.


A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.


Os oito mártires de Chicago


Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento – o jornalista Auguste Spies, do ''Diário dos Trabalhadores'', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe – foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como ''Os Oito Mártires de Chicago''.


O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. Seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).


A maior farsa judicial dos EUA


Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco ''Mártires de Chicago'' foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.


Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.


Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.


*Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro recém-lançado “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi).